Prólogo

Este é um fragmento de um projeto concebido como uma intervenção direta sobre os “cânones” vigentes na produção arquitetônica atual, bem como uma inserção concreta da arquitetura na programação cultural oficial.
Um projeto de interesse público e sem objetivo de lucro, gestado dentro de um jovem curso de arquitetura de uma universidade particular e realizado voluntariamente por seus professores e alunos.
Um projeto encarado como uma investigação indispensável à atualização dos repertórios e procedimentos de ação nas cidades brasileiras e seus rebatimentos possíveis na formação de futuros arquitetos.
Um projeto dedicado à descoberta, à sistematização, à exposição e à disseminação de práticas – de arquitetos, escritórios e escolas de arquitetura, coletivos independentes, ONG’s, secretarias de planejamento, etc – que transversalmente expandem os limites tradicionais da disciplina, negociam o alcance social e a relevância cultural da arquitetura e reposicionam o arquiteto no cenário político contemporâneo. Proposições e espaços que re-articulam os modos de produção e gestão do espaço cotidiano e re-inventam as relações entre os sujeitos e o ambiente.
Um projeto estruturado inicialmente a partir de expedições ao longínquo das cidades interioranas e das periferias metropolitanas e que, diante da frieza objetiva das planilhas, foi capaz de perceber um entorno imediato tão instigante e desconhecido quanto o distante idealizado.
Um projeto entendido como um espaço colaborativo e um dispositivo experimental de infiltração de versões arquitetônicas não hegemônicas na rotina diária de habitantes e equipamentos urbanos.
Um projeto que propôs a construção de uma agenda arquitetônica coletiva organizando um seminário público, editando e distribuindo jornais gratuitos e postais informativos, concebendo e produzindo uma série de vídeos curtos para veiculação em TV’s públicas (o que de fato não ocorreu devido ao caráter privado dos canais), desenhando e organizando uma exposição itinerante que durante quase 6 meses freqüentou restaurante popular, centro cultural, biblioteca pública, terminal rodoviário e estação de metrô.
Um projeto realizado nos anos de 2004 e 2005 em Belo Horizonte, Brasil e que, apesar de se chamar CICLO1, provavelmente não terá próximas edições.
Um ciclo único, que depois de praticamente 2 anos de inércia, ensaia, com o lançamento deste livro, novos e inesperados movimentos.